11/03/2019

ADMINISTRAÇÃO - Dia Internacional da Mulher





UNISETI COMEMOROU O DIA INTERNACIONAL DA MULHER

O Dia 8 de Março – Dia Internacional da Mulher– foi este ano celebrado pela UNISETI no cinema Charlot, antecedendo mais uma sessão do CINE MAIOR IDADE, onde estiveram   presentes cerca de duas centenas de pessoas entre alunos, professores, colaboradores e amigos.Antecedendo a projecção do filme “Regresso a Bountiful”, o coro alentejano da UNISETI interpretou e bem, três modas do seu reportório adequadas ao evento celebrado, e o Prof. Alberto Alves, vice-presidente da Administração, evocou  em traços largos o significado do Dia Internacional da Mulher, instituído em 1975 pelas Nações Unidas e hoje comemorado em mais de cem países. Esta sessão evocativa terminou com a oferta a todos os participantes da sessão de um marcador de livros, elaborado especialmente para este dia, com o poema Mulher de Ary dos Santos com grafismo da designer Ivone Ralha, que foi lido, com a competência que se lhe reconhece,  por Maria Alice Silva.






Marcador (frente)





Marcador (verso)

09/03/2019

ADMINISTRAÇÃO - A Prof Maria João Ferro Lança livro



Casa da Baía, 8 de Março de 2019, 18,30 h.


A nossa professora Maria João Ferro fez, nesta data, o lançamento do seu livro  "O Envelhecimento Bem-sucedido e as Perspe- ctivas Evolutivas", perante uma assembleia que não cabia no auditório da Casa da Baía.
Apresentou a obra a nossa cooperante Maria Eugénia, que começou por recordar os tempos em que a autora fora sua aluna e passando à apresentação da obra, focou-se no que nela se diz sobre a necessidade de sonhar e do esforço constante para concretizar esses sonhos. 
A autora tomou a palavra para fazer um percurso pelo seu livro referindo a influência que a sua actividade na Uniseti teve para a concretização da obra, agradecendo, por isso, à instituição na pessoa do seu Presidente Doutor Arlindo Mota, presente na cerimónia.
Faziam ainda parte da mesa Sara Loureiro que fez a leitura de trechos do livro e Miguel Chen, fundador do Circo Chen como testemunho de como se pode ser activo e trabalhar aos oitenta anos.
A CMS fez-se representar pelo vereador Pedro Pina que teceu palavras elogiosas à autora pelo tema abordado.
A aluna da Uniseti Célia Abreu leu um poema de sua autoria com que o livro se encerra.
Pela envolvência da Uniseti neste trabalho podemos afirmar que o seu património imaterial e cultural ficou mais rico.











...e a obra nasce







18/02/2019

CIMM - Hospitais de Setúbal da Baixa Idade Média ao Sec XX







Casa da Cultura, 15 de Fevereiro de 2019 








O Dr Palma Rodrigues começou por fazer uma breve viagem aos últimos mil anos e aos acontecimentos que determinaram uma grande diferença  no desenvolvimento hospitalar entre o ocidente e o oriente.
Em meados do sec XIX o capitalismo reforça-se, publica-se em Portugal o primeiro Código Civil e segue-se o Sistema Profissional Liberal, em que os hospitais são geridos pelo melhor dos médicos. Este sistema vai até aos anos imediatamente a seguir à II Grande Guerra, mas em Portugal vai até 1971, com a organização de Gonçalves Ferreira, mas só em 1978 entra em vigor o SNS. O sistema adoptado é o de Profissional Técnico, para a gestão hospitalar
No pós-guerra surge o direito à saúde e a responsabilização do Estado pela Saúde Pública, ideia que não é nova e teríamos que recuar aos tempos de Ribeiro Sanches para encontrar o seu contributo português.
No passado as doenças eram basicamente infecto-contagiosas. Hoje as doenças são doenças da abundância, como a diabetes, hipertensão e  colesterol. E no passado não havia meios de combater os micróbios, só em finais da II GG é que surge a estreptomicina, com a qual se pode fazer frente directa aos micróbios.
Quanto à formação médica na antiguidade citou a importância da Escola de Salermo, fundada no séc. IX ,onde se podia obter uma formação médica regular. Até aí eram as abadias e as ordens monásticas que tinham postos médicos, assim se podendo chamar. Segundo os ensinamentos de Salermo, se não se pode curar há que prevenir e os princípios de higiene vão durar até ao séc XVIII.
Neste período os hospitais portugueses eram muito pequenos tendo no máximo seis camas. Sem nenhumas  técnicas de saúde, a sua vocação era acolher os pobres e os desamparados. Entram no conceito de obras de caridade.
A par de outras doenças a lepra foi marcante. importada do oriente pelos cruzados  atingiu o auge no reinado de D.Dinis. Os leprosos tinham tratamento separado nas Gafarias, sendo a primeira em Portugal a de Marco de Canaveses, mandada construir por D. Mafalda de Saboia, mulher de D. Afonso Henriques.
Também Setúbal teve uma gafaria , na actual Av. Manuel Maria Portela, que funcionou até 1504, altura em que os leprosos foram transferidos para Cacilhas.
O aumento da população urbana, emergência da burguesia mercantil e a intervenção do poder real na saúde levou a que os pequenos hospitais não respondessem aos direitos à saúde da população. Surgem nesta altura os grandes hospitais da Cristandade, em Itália, França, Espanha e também em Portugal com o Hospital Real de Todos-os-Santos, no Rossio. Este hospital seria completamente arrasado pelo terramoto de 1755. No entanto, os hospitais continuaram à sombra da divindade, junto das catedrais, porque as acções de misericórdia dariam indulgência na hora da morte e subida ao Céu.

Em Setúbal, no início do séc XIV existiam vários pequenos hospitais, funcionando junto a igrejas, como era costume. Estes pequenos hospitais, com rodar dos tempos foram-se juntando dando origem ao Hospital de Misericórdia e ao Hospital da Anunciada, funcionando assim até ao séc. XIX, altura em que se juntaram os dois funcionando no Convento de Jesus até meados do séc XX, quando foi inaugurado o Hospital de S. Bernardo.








17/02/2019

ADMINISTRAÇÃO - Conferências " O Lugar do Sapal"




3º conferência: Comunicação e Pós-verdade. Fake News e Ética


Cinema Charlot, 8 de Fevereiro de 2019



Vera Lucas no papel de apresentadora


A Mesa
Fernando Esteves, Rita Figueiras, Francisco Rito e Adelino Gomes



 Abriu a sessão o presidente do C A da UNISETI, Arlindo Mota, começando por informar que a mudança  local da conferência, do Salão Nobre da CMS para o Cinema Charlot, se deve a obras naquele Salão.
Sobre o tema em apreciação "Comunicação e Pós Verdade. Fake Nwes e Ética" referiu a sua actualidade e que os oradores convidados mostram um aproveitamento das sinergias Setúbal/Lisboa/Setúbal.

Aproveitou para ar a conhecer aos presentes que o ciclo de conferências vai continuar, tendo lugar a próxima no dia 5 de Abril .



Seguiu-se a intervenção do Sr Vereador da CMS Ricardo Oliveira, que agradeceu à UNISETI esta iniciativa com na qual a Autarquia tem participado com muito agrado.
Referindo-se à deslocalização do local inicialmente previsto para a conferência, por motivo de obras no interior do edifício da CMS, fez a ligação da qualidade das conferências com a qualidade dos filmes que a UNISETI tem vindo a fazer passar neste mesmo local, independentemente dos aspectos comerciais ligados àquele tipo de filmes.
Sobre o  tema em debate, manifestou-se pela  sua actualidade, tendo colocado a questão de se saber até que ponto a comunicação pode manipular os movimentos sociais  e ser usada na defesa de teses pouco aceitáveis, com a capa de jornalismo ou redes de comunicação.
Terminou fazendo um apelo à reflexão sobre a sociedade que estamos a construir.




















O primeiro orador, Fernando Esteves,  director do jornal "Polígrafo", cuja criação relatou. Seguidamente abordou a questão da partilha da informação que se faz a um ritmo alucinante, difundindo-se muitas vezes sem se ter sequer lido o conteúdo das mensagens que se difundem e sem se confirmar a sua veracidade. Esta situação é potenciada pela tendência que as pessoas tem para acreditar na informação que lhes é fornecida, mesmo sentindo que estão a ser manipuladas e a manipulação atinge níveis de sofisticação tal, que é possível criar vídeos completamente falsos mas que não se conseguem distinguir da realidade.

Esta situação de incerteza torna as pessoas descrentes  e apáticas, vulneráveis à acção dos influenciadores que, pouco preparados dizem disparates ou muito bem preparados manipulam, o que pode colocar em risco o funcionamento da democracia.
Mais de 60% da informação é veiculada pelas redes sociais , sem qualquer triagem jornalística, qualquer pessoa pode propagar o que quiser sem qualquer controlo. É preciso criar, com o uso da Inteligência Artificial, ferramentas  potentes  para combater aquelas que estão o por em causa a verdade. Para enfrentar esta situação seria necessário tomar medidas corajosas, que restringissem a capacidade de distribuir desinformação de que deu exemplos: restringir as partilhas no WhatsApp e limitar o tamanho dos grupos; limitar a capacidade de criar perfis falsos; combate da desinformação, tão rapidamente quanto a rapidez com que é criada; criação de comunidades de Fake Jackers.
Terminou com um apelo à qualidade do jornalismo, a única forma de fazer frente à Internet. 




















O orador seguinte foi o jornalista e investigador universitário Adelino Gomes. Começou por salientar a importância da Uniseti como local onde se pode ouvir os outros e onde nos questionarmos como sinal de vitalidade.

Entrando propriamente no tema da palestra disse que o mundo verdadeiro nunca existiu. Há certas notícias falsas que duram para sempre, sempre houve manipulações e o Homo Sapiens foi o criador da pós-verdade, usando as redes sociais humanas que antecederam as redes digitais.
Quanto à internet, cabe lá tudo, disse. Está em todo o lado, mesmo os que se querem alhear não escapam, ela vai lá buscá-los onde quer que estejam.
No campo jornalístico, perante o inverno apocalíptico que alguns vêm na manipulação das redes sociais e da informação, surgem as Fake News por medida, que assentando em premissas falsas tem impacto à escala global.
Apontou o exemplo de Trump de chamar Fake News a tudo o que não lhe agrada, ignorando o que não lhe interessa com abolição do contraditório, conduzindo ao pensamento único com graves riscos para a democracia.
Sobre o jornalismo diria que durante muito tempo esteve no topo da tabela de credibilidade, mas que as recentes sondagens o coloca no fundo da tabela. Todas as instituições perderam credibilidade mas o jornalismo foi a pior. O grupo profissional do jornalismo já não discute a credibilidade da informação mas o modelo de negócio, com a rendição das redacções dos jornais à administração.
Como recomendação, deixou a necessidade de reforço da ética profissional, do retorno aos princípios morais e profissionais e ainda a recuperação do contrato social implícito do jornalismo com a sociedade, que foi quebrado.



















O último orador foi a setubalense Rita Figueiras, professora universitária na área da comunicação.

Iniciou a sua palestra colocando o aparecimento do jornalismo com área científica num momento de crise a seguir à I GG. Inicialmente, finais do século XIX o jornalismo era depreciado face à literatura, era perecível e inútil enquanto aquela se mantinha no tempo. Mas nos anos vinte surge nos EUA a ideia que a IGrande Guerra foi ganha por uma campanha de desinformação, conducente à galvanização das tropas e à desmotivação do inimigo. Então a comunicação podia fazer ganhar guerras e o jornalismo podia influenciar a História. Surgem assim nos EUA os cursos de jornalismo. Numa primeira fase os efeitos da comunicação eram como agora são as Fake News. É ciclica a percepção que a sociedade tem do poder da comunicação sobre todos. Há um conceito que lhe está associado que é o do "pânico moral" , tudo está a ruir e por culpa da comunicação.
As Fake News são mais um sintoma do que a causa que vem da crise que está a abalar a democracia pela informação criada para parecer verdadeira sabendo-se que é falsa. As Fake News alimentam a ansiedade das sociedades e o poder que tem é proporcional à crise vivida por essas sociedades.
Sendo o  jornalismo uma porta de entrada para compreender a realidade, não a explica totalmente. A comunicação é uma causa necessária mas não suficiente e a questão principal retorna à sociedade e aos indivíduos e ao que eles podem fazer com o conhecimento que tem sobre as coisas. Mas a influencia pessoal é sempre mais importante que qualquer dos media pode ter. A influencia individual das conversas que todos têm uns com os outros tem um poder enorme.
Estudos tem demonstrado o peso da comunicação na nova visão que as pessoas tem sobre o mundo, num mundo de pessoas cada vez mais informadas e cultas mas indisponíveis para infirmar as informações que recebem, antes mais dispostas a confirmá-las. O que não confirma a nossa crença é Fake News.
Terminou  dizendo que este tempo de pós-verdade é sintoma de tempo da pós-vergonha, onde vale tudo.





A assistência numa bem composta sala do Cinema Charlot